numero #1

Centromalessere

Centromalessere

Olá, Pol! Como é que surgiu a ideia de dar início ao projeto musical Centromalessere? Como é que se conheceram? Vêm de experiências musicais diferentes; o que é que trazem dessas experiências e o que é que, por outro lado, pretendem propor agora? Olá! Olá, amigo!! Então: a ideia do «Centromalessere» surgiu da paixão que sempre tive pela música de autor e da necessidade de cantar as minhas razões (e também os meus erros) a um público variado, a todos, enfim… Tinha muitas canções em preparação há anos, mas sabia que não conseguiria valorizá-las sozinho; por isso, perguntei a dois amigos se queriam ajudar-me e foi assim que começámos esta aventura. O Cisco, (guitarra e coros), o Fedri (guitarra com solos fantásticos) e eu vínhamos de mundos musicais muito diferentes, mas isso não era um obstáculo, pelo contrário... Cada um traz consigo algo diferente e, uma vez na sala... vamos lá com as ideias! A certa altura, passámos a ser seis, incluindo uma violinista. No entanto, o grupo estava desestruturado, as pessoas iam e vinham. Imagina que devíamos tocar com os Modena City Ramblers, mas, infelizmente, não deu em nada! Tivemos de procurar um novo teclista e foram precisas dezasseis tentativas para encontrar um novo. A banda, agora, é algo abstrato. Para mim, a música faz parte do dia-a-dia e gostaria de ver a banda como uma família. Se não te convém, divorcia-se. Não faz sentido que uma pessoa tenha de fazer tudo e que tenha de estar sempre a lembrar aos outros para virem aos ensaios. O Centromalessere é um grupo onde quero expressar-me. A criação de canções é feita pelas pessoas que a fazem. Depois, cada um tem os seus interesses, mas compor músicas é uma razão de viver. Na formação atual, somos cinco: eu (voz e baixo), Cisco, Al (guitarra solo), Bonzo (bateria) e Pola (teclados).

Já foram entrevistados por alguma outra revista? Siamo stati intervistati da Guido Smadelli per conto di L’ Adige. Guido era il bassista dei Pietra Filosofale, primo gruppo progressive della nostra regione.

La Sindrome dell'Uomo

Ao ouvir as vossas canções, percebe-se toda a vossa mestria como músicos, bem como aquela atmosfera sombria que se sentia nos Congegno! Quanto à habilidade, agradeço-te, mas posso garantir-te que não somos especialistas; o nosso ponto forte não é, certamente, a técnica. Já no que diz respeito aos Congegno, por outro lado, posso dar-te razão, no sentido de que, como sou eu que escrevo as letras de ambos, é normal que se sinta uma espécie de fio condutor na minha forma de escrever. Depois, tenho de te dar razão também noutra coisa, a melancolia; de facto, admito que não sou muito alegre musicalmente... Quanto à melancolia sonora, creio que seja simplesmente uma questão de gostos ou de um certo tipo de atitude, ou de várias influências, sei lá... A melancolia verbal, por outro lado, surge simplesmente da minha maneira de ver e de querer dizer as coisas... ou seja, considero que não é interessante falar de forma alegre e despreocupada sobre algo que é bonito e que funciona bem; prefiro falar das coisas que me afetam negativamente, para poder compreendê-las e, quem sabe, um dia melhorá-las; entretanto, começo por tentar compreendê-las.

Estão a trabalhar em alguma peça nova? Estamos a trabalhar num segundo álbum, depois do nosso álbum de estreia «La Sindrome dell’Uomo». Já nos tornámos um grupo de obituários. Cantamos sobre assassinos em série, homicídios ou mesas de cabeceira. O álbum incluirá a canção «Pamela», sobre uma rapariga encontrada morta numa mala em Macerata; e depois «Specchio», que fala de uma rapariga que não gosta de si própria, torna-se anoréxica e morre. Mas ela vive uma dor dupla: além de se destruir a si própria, rejeita a dádiva de ter vindo ao mundo. Na minha opinião, estas canções nem sequer deviam ser explicadas. O público não deve tornar-se a agência fiscal das palavras. Uma canção pode ser o conjunto de muitas outras histórias e da forma como as imaginamos noutros contextos. A experiência com os Psychoanalisi, por outro lado, chegou ao fim. Agora tenho um novo grupo, os Reflusso, que musicalmente são um pouco mais hardcore do que estes últimos. Já temos algumas faixas e esperamos gravar um álbum no início de 2025!

Psychoanalisi O projeto paralelo de psicanálise estreou-se com «Musica per Cervelli» em 2019, com design gráfico de Pol e coproduzido também pela Ruas MI. https://psychoanalisi.bandcamp.com

Podias voltar a contar a história de Pino Erba e explicar por que razão consideraste importante voltar a abordar o seu trágico fim? Escrevi a canção de uma só vez, pode-se dizer, porque há anos que, na fábrica onde trabalho, em Roveré della Luna, me contam a misteriosa história desta personagem, provavelmente morto por uma brincadeira de mau gosto ou por uma rixa que acabou mal. Digo «provavelmente» porque não há certezas, pois o Pino estava sozinho e ninguém se preocupou em descobrir a verdade; o que é certo é que, na noite em que morreu, tinha o hálito a cheirar a gasolina; Há quem diga que lhe arranjaram tudo e há quem diga que ele fez tudo sozinho; há quem fique irritado quando dizem que ele se desenvolveu sozinho e há quem fique irritado pelo contrário; infelizmente, acho que nunca vamos saber a verdade... Escrevi esta canção apesar de não conhecer diretamente o Giuseppe Erba, conhecido como Pino, porque o conheci indiretamente ao longo dos anos através das palavras daqueles que lhe tinham carinho e, por isso, acabei por me afeiçoar a ele. Uma noite, estava no bar completamente bêbado e observava uns velhinhos ainda mais bêbados do que eu, que se divertiam à grande e espalhavam alegria, e pensei: quero escrever uma canção para elogiar estes velhinhos bêbados porque, no fim de contas, proporcionam-nos imensos sorrisos, ok, nem sempre... mas muitas vezes... aqueles que eu conheço... no dia seguinte, pensei que havia um bêbado que não conhecia pessoalmente, mas que me parecia mais próximo do que os outros: era o Pino!!

Brindiamo per Pino Pino al mattino aveva già voglia di bere ed andava a chiedere di casa in casa un bicchiere che fosse di vino di grappa o liquore a Pino bastava un bicchiere offerto col cuore Pino alla porta bussava e a chi lo ospitava augurava buona pasqua e per non sbagliare anche buon natale la gente gli offriva il bicchiere lui lo prendeva e in un sorso soltanto in un sorso beveva Poi ringraziava il bicchiere appoggiava e ripartiva verso un’altra casa verso chi gli offriva un bicchiere di gioia e cinque minuti soltanto del proprio tempo cinque minuti della propria vita Pino era sempre in cammino beveva e smaltiva scendeva e saliva la strada in paese voleva soltanto del vino non aveva altre pretese Pino era un uomo gentile non era insistente Pino era un uomo cortese chi l’avrebbe mai detto che un giorno ne avrebbe pagato le spese Pino un mattino come sempre in cammino suonò il campanello alla porta di un triste destino poi fece un sorriso al falso buon viso che quella mattina gli diede da bere benzina così senza guardare il veleno ingerì la mano vigliacca decise così Pino riprese il cammino ma alla sera morì così senza guardare il veleno ingerì la mano vigliacca decise così Pino riprese il cammino per l’ultimo dì Brindiamo per Pino affinché il suo assassino si possa di notte svegliare davanti al fantasma di Pino che gli grida in faccia felice natale!” Brindiamo per Pino affinché il suo cammino possa continuare senza mai incontrare la mano codarda già pronta alla porta del male Brindiamo per Pino affinché il suo cammino possa continuare senza mai incontrare la mano codarda già pronta a fargli del male

https://youtu.be/Hy_ybusq4CQ?si=1ngXVMqn2EBc2axb

centromalessere.bandcamp.com centromalessere.tn@gmail.com