Ruas MI

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numero #1

Arte e punk no Barreiro II

Comecei a pintar t-shirts e camisas, a minha paixão começou aqui. Depois, conheci um artista alemão, Armin Kühne ou “Ostholz”, que vinha a Portugal de férias. Ele estava a pintar para pagar as férias. Adorei a arte dele! Desde então, comecei a ter o gosto de ser artista. Foi graças a ele que me interessei mais pela história da arte. Em 1988, fui para a Alemanha durante 8 meses, contactei com alguns artistas e comecei a fazer mais criações. Depois, voltei, mas não evoluí muito. As pessoas achavam que a minha arte era mais banda desenhada, cartoons, do que arte pintada. Isso desmotivou-me muito e continuei a fazer apenas por hobby. – Paulo Heleno

Ainda estás em contacto com o Armin? Não, não estou. Armin vivia numa fábrica (Fabrik), uma comunidade de pintores e escultores. Ainda existe, mas com novas pessoas. Nunca mais consegui entrar em contacto com ele, depois de se ter mudado para Colónia.

De que trata a tua arte? Sempre gostei de trabalhar com objectos, mas normalmente pinto. Gosto de chamar à minha arte simbolismo, mas na verdade corresponde mais ao realismo. De facto, costumava juntar os mesmos 3 ou 4 objectos em quadros diferentes. Por exemplo, os objectos que utilizei foram relógios para o tempo ou flores para a natureza. Utilizei-os em quadros com ambientes diferentes. Criei uma linguagem para representar estes objectos. Para mim, isto é simbolismo.

Mas já não estou a fazer este tipo de criação. Posso fazê-lo, mas de forma inconsciente. Hoje em dia, vou buscar objectos reais e junto-os. Colecciono coisas. Tenho mais de 20 ecrãs de televisão antigos que quero utilizar para uma nova composição. Todas as minhas pinturas estão ligadas à minha cultura punk: antissocial, protesto social, ambiente, ecologia e sociedade em geral. Por exemplo, o quadro “O mundo respira gordo” representa uma sociedade consumista. É como um cartaz publicitário. Um pouco como Carpenter fez para o filme “They live”. É a representação de nós com tudo o que é bom, com dinheiro para gastar, enquanto noutros sítios não têm o suficiente para comer. Os dentes do vampiro representam a sociedade de consumo.

Onde é que ele está agora? Vendeu-o? Agora este quadro está na confusão do meu atelier. Sou discreto, nunca fiz a minha arte por dinheiro. Mas agora que estou mais velho, talvez o faça… Fazer arte é algo de que gosto muito. Agora estou a ter problemas com a minha coleção de arte. Não tenho mais espaço para a guardar e não a vendo. Além disso, estou a colecionar muitos objectos para os meus novos projectos. Mas estou a ter algumas ideias sobre como resolver isto! Não quero antecipar-me demasiado! Vamos manter-nos em contacto

Li o teu artigo sobre a tua exposição em 1989 na cidade de Worms. Está escrito que quando entras nas igrejas vês pessoas mortas… Um jornalista alemão fez esse artigo e interpretou o que eu lhe disse. Isto tem a ver com o facto de, quando entro numa igreja ou num cemitério, me sentir triste, pensando em todas aquelas pessoas que já não existem. Gostava de as conhecer. Tudo se perde.

Conte-nos algo sobre as tuas composições de objectos Por exemplo, o Arame farpado. Historicamente, o arame farpado foi usado pela primeira vez para proteger uma propriedade na América. Chamei ao meu trabalho “A Corda do Diabo”. Usei esse nome para criar três obras de arte. Criei três ambientes diferentes, onde o arame farpado era o tema principal. O primeiro era uma escola primária, o segundo uma cafetaria e o terceiro uma máquina de depilação. O Corda do Diabo é o conjunto dos três.

Contatos: http://paulolopesheleno.blogspot.com/ paulolopesheleno@gmail.com

Links: Armin http://www.bildplan.de/schauraum/kuenstler/ARMIN%20KUEHNE/Armin.html

Photo by Ruas MI Version in English printed on Ruas MI #1. (draft – Portuguese revision pending)

numero #1

Arte e punk no Barreiro I

Planeta Quadrado foi a primeira banda punk portuguesa que conheci, há seis anos, num concerto em Lisboa. Finalmente, quando o meu desejo de produzir um novo fanzine se tornou realidade, decidi encontrar-me com a sua voz Paulo Heleno (P.H.). Paulo é um artista surrealista/simbolista do Barreiro, que viveu em primeira mão a segunda vaga do punk português, à qual se mantém ligado até aos dias de hoje. Saindo de Cascais, dirijo-me ao Barreiro, uma pequena cidade do outro lado do rio Tejo. Esta zona oferece uma vista agradável da cidade de Lisboa, o Cristo de Almada e as pontes 25 de abril e Vasco da Gama. Está um belo dia de sol, com uma brisa agradável. Encontro-me com o Paulo debaixo da sua casa e caminhamos ao longo do rio até chegarmos a um bar com vista para a capital. O Paulo está um pouco nervoso, ainda não percebeu bem quantas perguntas lhe quero fazer e sobre que temas. – Já estou a arrepender-me, diz-me ele, a brincar, mas a sério!

Vi que no youtube há vários documentários sobre o hardcore punk português (Uma só voz, Uma especie de punk, Enterrado na Locura: Punk em Portugal 78-88), em alguns dos quais também participaste. Gostarias de nos contar algo sobre esses tempos?

A chamada segunda vaga do punk português começou por volta de 1981, com três grupos principais: Mata Ratos, Ku de Judas e Crise Total. A estes três grupos juntou-se depois todo o movimento na zona de Lisboa. Havia um programa de rádio muito importante para todos nós, que era o do António Sérgio. Aqui passava toda aquela música alternativa que normalmente não passava nas rádios, como o punk, o pós-punk e a música independente.

Eu e os meus amigos começámos a ouvir esta música na rádio com 14-15 anos. Frequentávamos locais típicos como a Juke Box no Bairro Alto, a Feira da Ladra em Lisboa, a Teia em Belém (que era uma coletividade) e o Rock rendes vous em Lisboa. Bandas internacionais como os Camillans, The Sound e os Meteors tocavam lá. No início, um amigo e eu éramos os únicos na nossa rua que gostávamos desta música que tínhamos ouvido na rádio. Aos poucos, com outros amigos aqui no Barreiro, criámos um grupo de pessoas que ouviam esta música. Fomos para Lisboa e fizemos parte desse movimento punk.

A primeira vaga do punk português não chegou a existir. Havia umas quantas bandas a fazer rock-punk, mas ainda não havia um movimento a sério. Os anos 80 foram diferentes, com muito mais pessoas a aderirem a este movimento. Do ponto de vista estético, o vestuário da segunda vaga não era tão excêntrico como o da primeira e tinha características muito diferentes. Por exemplo, nos anos 80, usavam-se casacos militares, cabelos com picos e cristas.

Como era viver no seio de uma família portuguesa nos anos 80? Difícil. Os meus pais eram separados e eu só vivia com a minha mãe e a minha irmã. O punk era uma coisa nova e era muito estranho para muita gente. Para nós era gratificante, sentíamo-nos orgulhosos, felizes. Fazíamos parte de uma vanguarda.

Mas, ao mesmo tempo, as pessoas estavam muito interessadas, curiosas. Não entendiam porque é que estávamos a escrever palavras nas nossas roupas. Era divertido. Estava sempre a conhecer pessoas novas.

Usávamos preto e isso não era considerado normal. As pessoas brincavam e perguntavam-nos se íamos a um funeral. Em Portugal as pessoas eram muito retrógradas, mas com uma grande vontade de se modernizarem. Portugal estava a sair de um período fascista, por isso as pessoas estavam curiosas. Apesar de tudo, aceitaram fazer parte de algo mais moderno. Os portugueses adaptam-se muito bem à mudança, não são muito conservadores na sua cultura.

De facto, já me deparei com um grande descontentamento quando expressei preferências ou opiniões negativas no passado, por exemplo, sobre comida… Por outro lado, há muitos pratos de que gosto muito! As coisas mudaram um pouco nos últimos anos. Ultimamente, a comunicação social começou a bombardear tudo o que é tipicamente português. Há um certo complexo de inferioridade entre as pessoas. Há uma ansiedade de aprovação. Com a comunicação social sempre a mostrar que somos os melhores em tudo, depois pode acontecer que, quando alguém pergunta a outro o que gosta ou não gosta, fique frustrado por ouvir uma opinião diferente. Isto é algo que tem sido amplificado pelo turismo de massas. Mas é uma coisa recente, ou pelo menos é o que eu penso. Na verdade, os portugueses são muito abertos à novidade. Aceitam muito facilmente tudo o que vem de fora, mas fazem questão de proteger um pouco do que pertence à tradição. O problema é que acabam por abdicar um pouco da sua própria identidade.

Isso também tem a ver com o regime fascista, que só terminou em 1974. Depois disso, tudo o que era desse período passou a ser considerado negativo. As pessoas também desvalorizaram o que havia de bom no regime. Agora, as pessoas começam a revalorizar as coisas do passado. Outra razão é inerente ao problema do nosso império e da época dos descobrimentos. As pessoas valorizam muito esse período. Tudo o resto ou é pouco conhecido ou é considerado de pouco valor. Os portugueses, desde a época dos descobrimentos até ao fim do regime fascista, estiveram afastados da Europa e a sua importância derivava das relações ultramarinas. De facto, o povo português estava mais ligado à cultura africana e brasileira do que à Europa continental. Quando voltámos para nos ligarmos à Europa, não encontrámos nada. Sem império, sentimo-nos inúteis. O povo português criou uma relação muito diferente da de outros países ocidentais (como a Espanha) com os povos coloniais. Houve racismo, sim, mas também muita diversidade e integração. Houve um intercâmbio cultural muito forte. Mas as coisas mudam.

De volta aos anos 80. Fale-nos um pouco sobre Kolapso Os Kolapso eram, antes de mais, um grupo de amigos que ouviam bandas pós-punk e punk como os Dead Kennedys. Éramos um grupo. Depois a banda dividiu-se em duas: um pequeno grupo que ouvia principalmente pós-punk e música pop e outro que era mais radical. Chamávamo-nos Kolapso muito antes de termos uma banda. De facto, já sabíamos este nome em 1984, mas só formámos uma banda em 1992. Durante esse tempo, mudámos muito e até as pessoas já não eram as mesmas. Na formação original da banda estava eu na voz, o José António no clarinete e o João Paulo Borralho no baixo. Quanto a material, não produzimos muito, apenas uma cassete mal gravada e alguns vídeos.

A nossa música era punk pesado, tipo Fugazi, TAD e L7. Nenhum de nós sabia tocar bem e estávamos a aprender. A banda durou pouco tempo, apenas dois anos. Só tocámos aqui no Barreiro e num concurso em Évora, mas fomos desclassificados. Tocámos três músicas, quando o regulamento era no máximo duas. Há um vídeo no youtube. Pouco tempo depois, casei-me, tive uma filha e dediquei-me à família.

Em 1985, o Barreiro era uma zona altamente industrializada, cheia de fábricas e com muita poluição. Era a Manchester de Portugal. Aos poucos foram fechando e o Barreiro foi perdendo população. As pessoas eram muito territoriais. Havia duas zonas distintas: uma zona histórica e uma zona mais central com a estação. Eu e os meus amigos estávamos em desvantagem, vínhamos todos de sítios diferentes e éramos muitas vezes atacados por bandos de rapazes de bairros diferentes, 5 contra 10, era chocante.

Voltei a cantar por volta de 2015, quando a minha filha já era crescida. Conheci novos amigos que tocavam na banda Tracy Lee in Summer e tornei-me amigo deles. Ao mesmo tempo, surgiram outras bandas novas no Barreiro. Era uma espécie de nova onda cultural. Junto com meus amigos formei o Planeta Quadrado e nos separamos em 2018, produzindo um álbum em versões CD e LP. A versão LP é um split com uma banda de amigos nossos, Conan Castro and The Moonshine Piñatas.

Notaste alguma diferença entre o passado e o presente? Nos anos 80, as pessoas iam aos concertos para se divertirem juntas, mesmo que houvesse problemas sociais. Atualmente, a cena é mais radical. Se alguém é diferente, é menos aceite. As pessoas levam-se muito a sério. Lembro-me que não julgávamos muito. Agora, se alguém brinca com qualquer tema dentro de um grupo punk e as pessoas não pensam como ele, isso não vai ser aceite. Por exemplo, se alguém brinca com ‘eu gosto de carne’… Tudo é censurado.

Nos anos 80 tínhamos ideias contra a sociedade, mas víamos as pessoas pelo que eram e não pelo que pensavam. Quando uma pessoa se torna radical, provoca uma reação muito pior naqueles que não pensam como ela. Por vezes, vale a pena tentar compreender a outra pessoa. Se eu fechar a porta, a pessoa transforma-se numa coisa pior. Se, pelo contrário, a mantenho aberta, a pessoa não se sente repelida. Não estou a dizer para aceitar as ideias dele, mas para tentar compreendê-las.

A sociedade atual é composta por dois aspectos: a economia e os chamados valores democráticos, para homogeneizar o pensamento. O pensamento unilateral é perigoso, mas oprimir o lado negativo, quando este surge, é muito pior. O ser humano tem de respirar.

Links: Mata Ratos https://www.facebook.com/infamesmr/ Ku de Judas https://www.youtube.com/watch?v=qsw2_ti0fVE Crise Total https://www.reverbnation.com/crisetotal Kolapso (video) https://www.youtube.com/watch?v=LxkYzeibuzU Tracy Lee in Summer https://www.facebook.com/tracyleesummer Planeta Quadrado https://planetaquadrado.bandcamp.com/ https://www.clear-spot.nl/item/459047/planeta_quadrado_vs_conan_castro_the_moonshine_piatas_split_lp.html Conan Castro and The Moonshine Piñatas https://conancastroandthemoonshinepinatas.bandcamp.com/

segunda parte, segue

Version in Italian printed on Ruas MI #1.

(draft – Portuguese revision pending)

numero #1

Um projecto libertário, sereno e racional

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The book “A Libertarian, serene and rational project” published by Edições Colibrì, Lisbon (2018), is a career-ending work by Portuguese sociologist and activist João Freire, Professor Emeritus of the University Institute of Lisbon (ISCTE).

Quoting the author, “this book proposes a renewal of anarchist ideology for the twenty-first century.” Freire begins the book by giving a brief preface on modern and contemporary anarchism. As early as the 1960s and 1980s, the author reports, efforts were made to formulate a modern anarchism, with a historical memory, but seeking responses to the demands of modern times. These included, a booming economy, advanced technologies, urbanism, globalization, increasing complexity of social life and the ever-present risk of catastrophe. However, these efforts foundered. They did not contribute to the reform of the political practices of militants, nor did they improve the reputation of this political philosophy, leaving the usual prejudices behind.

Freire with this book wants to leave to the future generations a balanço de uma geração (i.e., a balance sheet of a generation), written by those who will soon be leaving the scene. This political testament is divided into two main chapters. The first, aimed at reassessing the role of the power state, proposing strategies for political intervention within the democratic system. The second, addresses the issues of the market economy, calling for its proper regulation in order to achieve a more dignified alternative to the current level of globalization.

In the first chapter, Freire begins to deal with the difference between power and the state, and to emphasize the centrality in the modern state, of one in the other. Power can never be abolished, except by the disintegration of society, returning to a primitive state, which no one nowadays seems to really desire – says Freire. However, power can be more concentrated, or conversely more socialized, as suggested by Spaniard Tomás Ibáñez in “Por um poder político libertário” (in Actualidad del anarquismo, 2007). Freire then gives a brief historical survey of the societies, concise but rich in names, dates and references, leaving various insights for the reader: the monarchies reigning “in the name of God,” the different forms of republics, the Western values of the last two centuries, the independence uprisings of various regions, the national and supranational state, the Russian revolution and the Cronstadt sailors’ revolt (1921)-fighting for a workers’ democracy and not for the dictatorship of the proletariat, the Ukrainian Makhno , the Italian Risorgimento and Errico Malatesta, post-Napoleon III France, Stirner‘s individualist anarchism, the Fédération Anarchiste, the International Workers’ Association (AIT), the first and second postwar, Colin Ward, various American thinkers (Henry David Thoureau, Emma Goldman, Murray Bookchin, Noam Chomsky,..), opium war and Mao Tsé Tung, Spanish and Latin American, African and Portuguese movements.

Freire points out, “the classical anarchists almost all dreamed of a revolutionary transformation of aristocratic-bourgeois society.” However, the German Landauer (1907) lucidly discussed the conditions and effects of both revolution and evolution (i.e. with reforms), suggesting as “preferable the most peaceful and gradual paths.” The author then begins to argue for the idea of a libertarian anarchist party, bringing as examples Italian (by Malatesta and Merlino, 1891), French (Fontenis, 1953), and Spanish (Olivier and Prieto) experiences. He also points out some libertarian elements, among modern and contemporary political parties.

For Freire, institutions of intermediation with the citizen -such as parties should be- are necessary in complex societies. In addition, ideologies such as libertarian municipalism (e.g., Emídio Santana, M. Bookchin), could foster the widening of the people’s spaces of direct democracy in the management of their local interests. Freire warns about the risk of sectarianism in so-called anarchist militancy, which has always coolly welcomed such initiatives. “It is a fact that it is since the 1930s that anarchism has ceased to count for contemporary societies, after the end of anarchist syndicalism and with the continued opposition to any electoral project.”

Freire then begins to envision the detailed characteristics of the libertarian party, writing a full-fledged manifesto. At the heart of such a party would be the creation of community interest groups, a forum for citizens, and a gradual move away from power. There is no shortage of examples adopted by contemporary states for real solutions to possible risks and consequences. Freire also reflects on the control of violence (war, police, prisons) inherent in every state, as well as propaganda and manipulation of information.

The second chapter includes reflections on economic development after the American and French revolutions (socialism vs. power bloc, east vs. west, decolonization, capitalism). An interesting passage is the anachronistic recognition of the concept of “social class,” which, according to some contemporary sociologists, should be transformed into “social network” on the basis of ideology, profession, or affinity. The ideas and experiences of various thinkers regarding a non-competitive economy are then presented, such as Pierre-Joseph Proudhon, Josiah Warren, William Greene, Lysander Spooner, Benjamin Tucker, Pyotr Kropotkin, E. Maletesta. Freire, also analyzes some socio-economic features of past revolutions (in Mexico, Ukraine, post-Tzarist Russia, the Spanish Civil War) and communist and socialist societies. The last section is devoted to observations on competitive and global capitalism.

Version in Italian printed on Ruas MI #1.

Links: Edições Colibrì https://www.edi-colibri.pt/Detalhes.aspx?ItemID=2229 Tomás Ibáñez https://es.wikipedia.org/wiki/Tom%C3%A1s_Ib%C3%A1%C3%B1ez Cronstadt sailors’ revolt https://www.anarcopedia.org/index.php/Kronstadt Ukrainian Makhno https://eleuthera.it/materiali/SHUBIN_ALEXANDER/premessa_nestor-machno_shubin.html Errico Malatesta https://www.anarcopedia.org/index.php/Errico_Malatesta Stirner https://theanarchistlibrary.org/library/leo-markun-max-stirner-and-the-philosophy-of-the-individual#toc2 Fédération Anarchiste https://www.federation-anarchiste.org/? International Workers’ Association (AIT) https://www.iwa-ait.org/ Colin Ward https://en.wikipedia.org/wiki/Colin_Ward Henry David Thoureau https://www.britannica.com/biography/Henry-David-Thoreau Emma Goldman https://theanarchistlibrary.org/category/author/emma-goldman Murray Bookchin https://theanarchistlibrary.org/category/author/murray-bookchin Noam Chomsky https://chomsky.info/ Landauer https://theanarchistlibrary.org/library/james-horrox-gustav-landauer-1870-1919 Fontenis https://theanarchistlibrary.org/library/georges-fontenis-manifesto-of-libertarian-communism Emídio Santana http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/arquivo/?p=creators/creator&id=2 Pierre-Joseph Proudhon https://theanarchistlibrary.org/category/author/pierre-joseph-proudhon Josiah Warren https://theanarchistlibrary.org/category/author/josiah-warren William Greene https://theanarchistlibrary.org/library/kevin-carson-william-greene-on-the-labor-theory-of-value Lysander Spooner https://theanarchistlibrary.org/category/author/lysander-spooner Benjamin Tucker https://theanarchistlibrary.org/category/author/benjamin-tucker Pyotr Kropotkin https://www.britannica.com/summary/Peter-Alekseyevich-Kropotkin

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